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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Plantas medicinais

Por todo o Mundo, em todas as culturas e através dos tempos, se têm usado as plantas, não só como alimento, mas também para fins medicinais.
Em Ponte de Lima não foi diferente.
Os conhecimentos de remédios vegetais costumavam passar de geração em geração, mas, actualmente, a maioria de nós perdeu o contacto com a tradição vegetal.

Por isso, eis algumas plantas que se podem encontrar facilmente e as suas aplicações:

Camomila
Em chá, tintura ou ainda inalando o vapor do chá, esta planta, entre outras coisas, melhora o sistema digestivo, relaxa, diminui os efeitos das irritações nasais, acalmando os sintomas da febre dos fenos ou da rinite alérgica.





Erva-cidreira
A cidreira ajuda a digestão e o relaxamento e é boa para tubos digestivos sensíveis. É muito usada para intestinos irritáveis, indigestão nervosa, ansiedade e depressão. Bebê-la em chá também ajuda a aclarar as ideias, pelo que é útil quando se estuda. É uma boa bebida ao deitar, promovendo o relaxamento e um sono tranquilo.





Salva
Possui propriedades anti-sépticas e pode usar-se em compressas sobre feridas de cicatrização lenta ou como gargejo ou exilir para infecções da boca ou garganta. Diz-se também que escurece o cabelo grizalho se usada para enxaguar.
É recomendada contra a debilidade e confusão e tem sido associada contra a longevidade.


Hipericão
O óleo do hipericão (Hipericum Perforatum) é usado externamente para tratar queimaduras, nevralgias e inflamações.
Tradicionalmente, o hipericão era considerado um protector mágico e um remédio para a melancolia; actualmente é conhecido devido à sua acção anti-depressiva.




Aveia
É ligeiramente estimulante e um remédio a longo prazo para o esgotamento nervoso, levantando o ânimo enquanto melhora a adaptabilidade. A aveia é uma boa fonte de fibra, o que ajuda a baixar os níveis de colesterol.


Noveleiro
Ingerido sob a forma de chá, diminui os espasmos de qualquer origem, sendo por isso bom para obstipação, dores menstruais, hipertensão e sensação de “tensão”.




Alfazema
O seu óleo essencial é usado externamente para relaxar e curar deidas e queimaduras. Ingerida num chá ou tintura a alfazema diminui a flatulência, a irritação, indigestão e potenciais enxaquecas.








Alecrim
Com uma acção relaxante e anti-depressiva geral, o alecrim é adequado a vários problemas associados à circulação deficiente. É bom para dores de cabeça das constipações, esquecimento, calvície prematura. No útero e no intestino, alivia os espasmos devido à má circulação.


Tília
É relaxante e purificadora. Faz um excelente chá para febres e gripe, especialmente se combinada com milefólio e hortelã-pimenta. É também usada para diminuir o endurecimento das artérias e hipertensão. Pode aliviar dores de cabeça de origem vascular.


[Descubra um pouco mais de medicina tradicional/alternativa em http://www.vemsersaudavel.blogspot.com/]


[Imagens retiradas de:

quarta-feira, 6 de maio de 2009

AREALIMA

No primeiro período, e logo no início do nosso projecto, o grupo teve de contactar com várias entidades. Uma delas foi AREALIMA (Agência Regional de Energia e Ambiente do Vale do Lima), uma associação sem fins lucrativos, criada a 22 de Dezembro de 1998, que tem como objectivo contribuir para o desenvolvimento sustentável e para a melhoria da qualidade ambiental do Vale do Lima, através da promoção de práticas de eficiência energética, do aproveitamento das fontes de energia renováveis e da preservação do património ambiental da região.

Em conversa com a simpática (e paciente, pois estivemos mais de hora e meia à conversa!) Eng.ª Sandra Estevéns, fomos descobrir um pouco mais sobre as actividades desenvolvidas nesta associação…

Algumas delas foram:
· Avaliação do Potencial Energético da Biomassa Florestal no Vale do Lima


· Avaliação do Potencial Eólico do Vale do Lima
Em conjunto com a empresa Hidroeléctrica Galaico Portuguesa S.A., esta associação realizou o levantamento do potencial eólico do Vale do Lima. E, presentemente, encontra-se a prestar serviços à empresa Eólica da Alagoa, S.A e à Enernova - Novas Energias, SA, garantindo a recolha e tratamento de dados do vento bem como os serviços de manutenção das respectivas torres anemométricas instaladas nos concelhos de Arcos de Valdevez e Ponte de Lima.


· Auditorias Energéticas em Solares de Portugal
Durante o ano de 2000, foram realizadas, com a cooperação da TURIHAB (Associação de Turismo de Habitação) e a colaboração do CCE (Centro para a Conservação de Energia) 19 auditorias energéticas em Solares do Vale do Lima.
Estas auditorias tiveram como objectivo analisar as condições de utilização de energia e identificar as oportunidades de eficiência energética, susceptíveis de contribuir para uma melhoria das condições de conforto dos Solares, sem prejudicar, no entanto, a unidade arquitectónica e construtiva que os caracteriza.

· Auditorias Energéticas em Edifícios Municipais
Desde 2000, que a AREALIMA tem promovido a realização de auditorias energéticas em edifícios municipais, a fim de identificar diferentes medidas de racionalização energética e de introdução de energias renováveis.
Em Ponte de Lima o Centro Escolar de Vitorino de Piães, a Pousada da Juventude, a piscina Municipal e o Arquivo Municipal foram já objecto de auditoria.

· Projectos que apoiavam outras entidades, tais como:
o O “Curso de Especialização em Turismo em Espaço Natural”
o O projecto “Biorreg-Floresta” (que teve como fim a implementação de sistemas de recolha e tratamento de resíduos florestais e a implementação de soluções de aproveitamento energético de resíduos florestais em sistemas de aquecimento de edifícios de pequena dimensão)
o O projecto “Valimar Natura” (entre outras acções, com este projecto implementou-se os Passeios na Valimar)


· Projecto “Portal da Ecovida”
Com este projecto criou-se um portal de referência sobre ecoturismo e qualidade de vida, ao nível nacional, com conteúdos sobre ambiente, qualidade de vida, melhoria da saúde, entre outros.
Se quer ter uma vida mais saudável, não deixe de visitar este portal em http://www.portalecovida.com/!

· Projecto “Guarda-rios”
A AREALIMA colaborou com a VALIMAR-ComUrb na preparação e execução do projecto “Guarda-rios”. Algumas das acções implementadas, foram: estudo da valorização dos corredores ambientais do Vale do Lima, percursos da natureza, pontos de informação ambiental, publicação de material de promoção.



[Texto baseado no currículo institucional da AREALIMA]

Para além de todas estas actividades, ficamos a saber que a AREALIMA desenvolveu ainda outros projectos, seminários, palestras, acções de educação ambiental para a comunidade, materiais pedagógicos, realizou Workshops e tem promovido e colaborado na organização de visitas de estudo, de exposições, colóquios e outro tipo de eventos de sensibilização ambiental.



Questionada sobre o facto de Ponte de Lima ser ou não um concelho "amigo" do ambiente, a Eng.ª Sandra Estevéns responde que sim, o município está empenhado na conservação da natureza. As Lagoas de Bertiandos e S. Pedro d’Arcos, a Quinta de Pentieiros e as ofertas do município relativamente ao ecoturismo, entre outras coisas, são prova disso. No entanto, acrescentou que há sempre mais coisas que se pode fazer.
Tenho que dizer que, tal como a Eng.ª Sandra, também eu penso que a Câmara Municipal de Ponte de Lima é "amiga" do ambiente, e considero que a recente criação das ciclo vias demonstra isso.

Já no final da nossa conversa, a Eng.ª Sandra Estevéns adiantou-nos ainda que, para o futuro, a associação vai continuar a apoiar os municípios do Vale do Lima. A AREALIMA pensa desenvolver outros projectos, apostar na diversificação da oferta do ecoturismo, na sensibilização da comunidade e aumentar as ecovias para assim poderem alargar ainda mais a qualidade ambiental do Vale do Lima.


Não posso deixar de terminar este artigo sem agradecer a simpatia e solicitude das pessoas com quem contactamos nesta agência, a Eng.ª Sandra (que para além desta conversa ainda nos forneceu material muito útil para o nosso projecto), o Engenheiro Pedro Costa (que nos tirou algumas dúvidas) e a S.ª Ivone Franco (que foi muito amável).

[Estas fotos são algum do material que a Eng.ª Sandra nos ofereceu]

[ A Arealima na net]

quarta-feira, 4 de março de 2009

Compostagem, uma maneira de reciclar

Após uma visita à Quinta de Pentieiros, aprendi, entre outras coisas, que compostagem significa a decomposição de matéria orgânica numa substância designada por composto.

Características de um bom compostor:
  • Está em contacto com a terra;

  • Tem buracos ao longo da superfície;

  • Está, de preferência, num local com sombra, sem vento e com água por perto.

O processo da compostagem consiste em, após ter o compostor pronto:


  • Colocar inicialmente uma camada de ramos e pequenos galhos (com cerca de 10cm);

  • Colocar uma quantidade de resíduos verdes (cascas de batatas, aparas de relva, cascas de ovos esmagadas, borras de café, resto de hortaliça e de fruta, …) e resíduos castanhos (feno, palha, aparas de relva seca, ramos pequenos, restos de fruta secos, papéis não plastificados, …) em camadas alternadas (a última camada deve ser de resíduos castanhos);

  • Uma ou duas vezes por semana, realizar o reviramento da pilha.

Nota: Para acelerar o processo pode-se acrescentar consolda, milfólio e/ou camomila


Na Quinta controlavam-se certos factores, tais como:



  • a humidade

  • a temperatura

  • o pH

O tempo para compostar matéria orgânica depende de diversos factores, no entanto, de 2 a 6 meses o composto deverá estar pronto. O composto está pronto quando ‘’é castanho, fofo e tem um cheiro a terra húmida”.

Deve-se passar o composto num crivo para seleccionar o que está pronto do que não está. Ou seja, o composto que está pronto passa no crivo, o que não passa deverá ir para o compostor durante mais algum tempo.



Foi a minha primeira visita à Quinta de Pentieiros. Achei o local encantador, cheio de pormenores maravilhosos e de cor. Destaco as placas pintadas com curiosidades que se podiam encontrar pelo caminho e a simpatia e solicitude das pessoas com quem nos cruzamos.

Em especial, a engenheira Irene Trigueiro que nos recebeu tão bem e que nos explicou todo o processo da compostagem.




(Descrevi o processo da compostagem de uma forma sucinta, para mais informações clique aqui.)

Área Protegida das Lagoas

A Área, a flora e a fauna
A criação da Área de Paisagem Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos (LBSPA), com cerca de 350 ha e 500 espécies inventariadas, permitiu a preservação de um dos cantos mais fascinantes de Portugal e aí semear as bases para um grande projecto de educação e formação para o ambiente.


Escola para o ambiente
Um vasto conjunto de infra-estruturas e equipamentos convertem esta área numa paragem de eleição para os amantes da Natureza e numa verdadeira escola para o ambiente.

Este conjunto encontra-se dividido em dois pólos:


  • A área protegida, vocacionada para a vertente ambiental, está dotada com um Centro de Interpretação Ambiental (proporcionando o contacto directo através da rede de 5 percursos pedestres e 3 rotas histórico-culturais)

  • A Quinta de Pentieiros destaca-se pela oferta de alojamento e por uma animação turística onde o desporto-aventura se mistura com as actividades ligadas ao meio rural.


Intervenção pedagógica
A educação e formação para o ambiente constituem, portanto, a grande aposta desta área protegida no sentido da alteração de comportamentos rumo a uma maior consciência ambiental.


Por isso, depois de uma visita ao depósito de folhas de Ponte de Lima, situado na margem norte do rio Lima, decidimos visitar a Quinta e descobrir um pouco mais sobre o processo da compostagem.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A Fauna em Ponte de Lima

A terra
A diversidade de espécies vegetais e a complexidade dos diferentes habitats potenciam a ocorrência de comunidades faunísticas bastante ricas. Em especial, nos carvalhais. No entanto, apesar do carácter mono específico dos povoamentos de pinho destinados à produção florestal, a fauna que neles existe pode ser surpreendentemente diversificada.
Os mosaicos agro-florestais constituem agro ecossistemas de elevado valor ecológico e paisagístico, em que a fauna engloba espécies com requisitos ecológicos bastante diversificados.
Por outro lado, em comparação com os povoamentos de pinhal, os eucaliptais apresentam uma fauna muito mais pobre.

A seguir referirei algumas das espécies mais características do concelho, relativas aos habitats acima indicados.
  • Aves: gralha-preta, pica-pau-malhado-grande, papa-figos, gaio, poupa, rouxinol, tentilhão, rola-comum, cotovia-de-pupa, perdiz, melro, pintassilgo, tordo-ruivo, gaivão, coruja-do-mato, águia-cobreira e diversos chapins.
  • Mamíferos: lobo (que representa o maior carnívoro de Portugal e que se encontra em perigo de extinção), corço, javali, esquilo (que por muitos anos esteve extinto de Portugal), fuinha, texugo, rato-do-campo, coelho-bravo, ouriço-cacheiro, toupeira e a doninha.
  • Répteis: sardão, lagartixas, cobras e tritões.
  • Anfíbios: rã-ibérica, rã-verde, salamandra-lusitânica, sapo-corredor e o sapo-comum.
  • Invertebrados: grilo, escaravelho (predador de caracóis e lesmas), borboletas, percevejos, louva-a-Deus, gafanhotos, moscas, aranhas, abelhas, o vespão e a cabra-loura (que se encontra protegida por lei).


A água
A presença de água é um factor potenciador da ocorrência de uma fauna diversificada, independentemente da altitude ou do tipo de coberto vegetal das margens.

Nos meios aquáticos, a fauna “oculta” consiste em invertebrados aquáticos de muitos tipos que desempenham funções fundamentais do ponto de vista ecológico. Ocorre uma miríade de anelídeos, crustáceos, larvas de insectos e protozoários. O contributo dos “macro invertebrados” é essencial para garantir o bom funcionamento do ecossistema aquático, uma vez que actuam na decomposição da matéria orgânica, limpam a água de matérias em suspensão e são alimento para muitas outras espécies de animais aquáticos.

A distribuição natural das espécies piscícolas no rio Lima está alterada em resultado das modificações a que o rio foi sujeito. Uma das modificações é, por exemplo, os açudes. Estes obstáculos interferem com as deslocações das espécies migradoras que procuram a bacia do rio Lima para se reproduzirem, como a lampreia-marinha, o sável, a savelha, o salmão-do-Atlântico, a truta e a enguia-europeia.

A seguir referirei algumas das espécies mais características do concelho que habitam as margens e cursos de água.
  • Outros peixes: truta-de-rio, escalo e o ruivaco.
  • Aves: melro-d’água, rouxinol, chapins, guarda-rios, gaivota-prateada e a garça-cinzenta.
  • Mamíferos: toupeira-de-água (bioindicador da qualidade do habitat), lontra e o rato-de-água.
  • Répteis: cobras-de-água e o lagarto-de-água.
  • Anfíbios: salamandra-lusitânica, rã-verde e a rã-ibérica.
  • Invertebrados presentes à superfície: alfaiate e os escaravelhos aquáticos.



A terra e a água
Os ecossistemas palustres, pela sua riqueza de transição entre a terra e a água, apresentam uma fauna bastante diversificada.

As Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos, entre os ecossistemas palustres do concelho, constituem um habitat raro que proporciona a ocorrência de uma elevada diversidade de espécies, em especial, de répteis e anfíbios. Assim, estão presentes o cágado-de-carapaça-estriada, o tritão-palmeado, a rela-comum, o sapo-de-unha-negra, lagartixa-ibérica entre outras espécies. Os raros peixes que se encontram nas Lagoas resultam da colonização feita a partir do rio de Estorãos nos períodos de grandes cheias em que o rio transborda do seu leito.

A seguir, referirei algumas das espécies mais características do concelho, relativas aos ecossistemas palustres.
  • Aves: galinha-de-água, mergulhão-pequeno, garça-vermelha e o pato-real.
  • Mamíferos: raposa
  • Invertebrados: bicha-cadela, escaravelhos, borboletas e as libélulas.
  • Entre os crustáceos destaca-se Lepidurus apus, que ocorre em charcos temporários e, em Portugal, é unicamente conhecido no concelho de Ponte de Lima.


O Homem
A relação entre o homem e certos animais – os animais domésticos, no concelho de Ponte de Lima, é muito próxima, sendo que estes, por estarem ligados à vida dos povos, fazem parte da sua cultura. Desempenham um papel de relevo, possibilitando o trabalho em pequenas leiras, a obtenção de estrume para a fertilização orgânica de terras, para além de contribuir para os rendimentos e serem fonte de companhia (e nalguns casos, protecção) dos criadores.
Entre os animais domésticos mais comuns temos: o cão, o gato, galinhas, perus, patos, coelhos, bovinos, suínos e caprinos.

Como observação final é de referir que Ponte de Lima é considerado ‘’O Solar da Raça Minhota”, encontrando-se aqui sedeada a Associação Portuguesa de Criadores de Bovinos de Raça Minhota (APACRA).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A flora em Ponte de Lima

Ao possuir serras, vales, veigas, rios, riachos e um mosaico litológico de granitos e xistos, o concelho de Ponte de lima encerra uma grande biodiversidade e, com ela, uma representação significativa de vários tipos de ecossistemas.

É nas áreas de encosta do concelho que podemos encontrar uma maior diversidade de espécies vegetais e animais. As florestas naturais de carvalhos, salgueiros, amieiros, aveleiras e outras espécies de árvores constituem a vegetação natural de máxima complexidade e são produtoras de elevada biomassa.
Ponte de Lima possui extensas áreas de carvalhal, a vegetação florestal natural mais representativa do concelho. Os carvalhais de encosta são praticamente dominados pelo carvalho-alvarinho, no entanto, outras espécies se encontram facilmente, entre elas, o azevinho, o sobreiro, a hera, a madressilva, a dedaleira e a flor-de-viúva. Também certos musgos e líquenes podem ser encontrados nestas áreas, sendo a sua presença um indicador do bom estado de conservação deste habitat.

As bermas das estradas, os muros das orlas dos campos, as construções em xisto ou granito, assim como, os afloramentos rochosos e os matos rasteiros (consequência dos fogos e do pastoreio de passagem), constituem áreas de menor importância ecológica no concelho, mas fornecem abrigo a um conjunto de espécies que encontraram, nestes locais, as condições ideais para a sua sobrevivência. Estas espécies são, maioritariamente, constituídas por musgos e vegetação menos densa e de menor porte.

Desfrutando de uma densa rede hidrográfica, o concelho tem sistemas húmidos que albergam também uma riquíssima diversidade biológica e que suportam comunidades de seres vivos fundamentais na regulação dos fluxos hídricos. A vegetação que sobretudo coloniza estes sistemas é, entre outros, o amieiro, o salgueiro, o sabugueiro, a junca-dos-rios, o feto-real, o junco-dos-bosques, o loureiro e os louriçais.

Ponte de Lima acolhe espécies de elevado valor para conservação, entre elas, posso indicar o feto-do-botão, pois existe em Portugal apenas no Norte e com fraca distribuição. Cito também o pequeno arbusto espinhoso Genista ancistrocarpa e a ciperácea Rhynchospora modesti-lucenno. Segundo o Livro Vermelho da Flora Vascular Espanhola, estão em perigo de extinção. Apesar de só existirem em habitats raros, em Ponte de Lima estas espécies encontram-se ainda bem representadas
No entanto, devido a deterioração da qualidade da água e do leito, são os ambientes aquáticos do concelho que mais preocupam, pois encerram várias espécies de briófitas listadas na Lista Vermelha Ibérica. Por exemplo, a Radula holtii, a Racomitrium lusitanicum e a Porella pinnata.
As Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos em muito contribuem para a protecção da biodiversidade e do equilíbrio ecológico do concelho, pois albergam mais de uma dezena de habitats naturais.

Se é real que existem espécies presentes no concelho que se podem extinguir, é verdade também que Ponte de Lima está a ser alvo de uma invasão de flora vascular exótica. O género Acacia é o mais problemático relativamente à flora exótica infestante, já que, coloniza ambientes florestais depois de um incêndio mais rapidamente que outra vegetação, dificultando outras espécies de invadirem o seu habitat.

Por outro lado, nas áreas rurais e urbanas, caracterizadas por uma maior intensidade da presença humana, Ponte de Lima tem uma paisagem diversificada, mas com baixos níveis de biodiversidade. Como é o caso de grande parte da Veiga do Lima (zona centrada no vale do rio Lima e nas partes terminais dos seus afluentes), pois é a área onde os solos são mais férteis, estando intensamente ocupados e explorados para actividades produtivas (em especial, a
agricultura e a produção florestal).


Em resumo, os diversos tipos de ecossistemas presentes no concelho têm importantes funções ecológicas e ambientais, o que justifica a definição de estratégias de gestão que façam o compromisso entre a conservação da biodiversidade e a sustentabilidade global do território.